Apresentação

sábado, 30 de abril de 2011

A Luís de Camões

Sem lástima e sem ira o tempo arromba
As heróicas espadas. Pobre e triste
À tua pátria nostálgica voltaste,
Ó capitão, para nela morrer
E com ela. No mágico deserto
Tinha-se a flor de Portugal perdido
E o áspero espanhol, antes vencido,
Ameaçava o seu costado aberto.
Quero saber se aquém da ribeira
Última compreendeste humildemente
Que tudo o perdido, o Ocidente
E o Oriente, o aço e a bandeira,
Perduraria (alheio a toda a humana
Mutação) na tua Eneida Lusitana.

Jorge Luís Borges, O Fazedor, Difel

Camões

Nem tenho versos, cedro desmedido,
Da pequena floresta portuguesa!
Nem tenho versos, de tão comovido
Que fico a olhar de longe tal grandeza.
Quem te pode cantar, depois do Canto
Que deste à pátria, que to não merece?
O sol da inspiração que acendo e que levanto
Chega aos teus pés e como que arrefece.

Chamar-te génio é justo, mas é pouco.
Chamar-te herói, é dar-te um só poder.
Poeta dum império que era louco,
Foste louco a cantar e louco a combater.

Sirva, pois, de poema este respeito
Que te devo e professo,
Única nau do sonho insatisfeito
Que não teve regresso!

Miguel Torga, Poemas Ibéricos, Edição do Autor

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Camões e a tença

Irás ao Paço. Irás pedir que a tença
Seja paga na data combinada
Este país te mata lentamente
País que tu chamaste e não responde
País que tu nomeias e não nasce
Em tua perdição se conjuraram
Calúnias desamor inveja ardente
E sempre os inimigos sobejaram
A quem ousou seu ser inteiramente
E aqueles que invocaste não te viram
Porque estavam curvados e dobrados
Pela paciência cuja mão de cinza
Tinha apagado os olhos no seu rosto
Irás ao Paço irás pacientemente
Pois não te pedem canto mas paciência
Este país te mata lentamente


Sophia Andresen
Obra Poética II, Círculo de Leitores

Luís, o poeta, salva a nado o poema



Era uma vez
um português
de Portugal.
O nome Luís
há-de bastar
toda a nação
ouviu falar.
Estala a guerra
e Portugal
chama Luís
para embarcar.
Na guerra andou
a guerrear
e perde um olho
por Portugal.
Livre da morte
pôs-se a contar
o que sabia
de Portugal.
Dias e dias
grande pensar
juntou Luís
a recordar.
Ficou um livro
ao terminar.
muito importante
para estudar:
Ia num barco
ia no mar
e a tormenta
vá d'estalar.
Mais do que a vida
há-de guardar
o barco a pique
Luís a nadar.
Fora da água
um braço no ar
na mão o livro





há-de salvar.
Nada que nada
sempre a nadar
livro perdido
no alto mar.
Mar ignorante
que queres roubar?
A minha vida
ou este cantar?
A vida é minha
ta posso dar
mas este livro
há-de ficar.
Estas palavras
hão-de durar
por minha vida
quero jurar.
Tira-me as forças
podes matar
a minha alma
sabe voar.
Sou português
de Portugal
depois de morto
não vou mudar.
Sou português
de Portugal
acaba a vida
e sigo igual.
Meu corpo é Terra
de Portugal
e morto é ilha
no alto mar.
Há portugueses
a navegar
por sobre as ondas
me hão-de achar.
A vida morta









aqui a boiar
mas não o livro
se há-de molhar.
Estas palavras
vão alegrar
a minha gente
de um só pensar.
À nossa terra
irão parar
lá toda a gente
há-de gostar.
Só uma coisa
vão olvidar
o seu autor
aqui a nadar.
É fado nosso
é nacional
não há portugueses
há Portugal.
Saudades tenho
mil e sem par
saudade é vida
sem se lograr.
A minha vida
vai acabar
mas estes versos
hão-de gravar.
O livro é este
é este o canto
assim se pensa
em Portugal.
Depois de pronto
faltava dar
a minha vida
para o salvar.

          
Almada Negreiros, Obras Completas, Editorial Estampa









                             

Sugestões de livros



- Chamo-me... Luís de Camões de Zacarias Nascimento, Didáctica Editora


- Camões, o super-herói da língua portuguesa de Maria Alberta Menéres, Edições Asa


- Camões - De vós não conhecido nem sonhado de Jorge Miguel, Plátano Editora


- Poesia de Luís de Camões para todos (org. de José António Gomes), Porto Editora


- Versos e alguma prosa de Luís de Camões de Eugénio de Andrade, Campo das Letras

- Uma viagem à Índia de Gonçalo M. Tavares, Editorial Caminho- A musa de Camões de Maria Helena Ventura, Saída de Emergência


- Eu cantarei de amor de Amélia Pinto Pais, Areal Editores


- Os Lusíadas em prosa de Camões, Areal Editores


- Poesia lírica de Camões, Verbo


- Luís de Camões - Sonetos e outro poemas de Richard Zeniter e João Fazenda, Editorial Planeta


- Os Lusíadas de Camões, Porto Editora


- Luís de Camões - O lírico de Hernâni Cidade, Editorial Presença


- Luís de Camões - O épico de Hernâni Cidade, Editorial Presença

- Camões no Portugal de Quinhentos de J. S. da Silva Dias, Col. Biblioteca Breve

- Introdução à poesia de Luís de Camões de Maria Vitalina L. de Matos, Col. Biblioteca Breve

- Introdução à lírica de Camões de Leodegário de Azevedo Filho, Col. Biblioteca Breve





                                                                                    Boas leituras!

terça-feira, 26 de abril de 2011

Filme Camões de José Leitão de Vasconcelos

     Em 1946, José Leite de Vasconcelos realiza o filme Camões que incide sobre a vida do Poeta.
     Clicar aqui para ver um pequeno vídeo do filme.


Luís de Camões: documentário

Por detrás de uma grande obra, está um grande Poeta - Camões.
Para ficarmos a conhecer um pouco mais sobre a vida deste grande vulto da Literatura Portuguesa, não poderíamos deixar de referir um brilhante documentário, também dividido em cinco partes, referente ao programa Grandes Portugueses da RTP1:


Pode-se consultar a biografia de Camões que está disponibilizada no site oficial do programa Grandes Portugueses aqui.